sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Perder

Hoje apeteceu-me escrever. O que é um mau sinal, visto que só me apetece escrever quando estou mal. E agora, estou mesmo mal. Sinto-me vazia por dentro. Sinto-me destruída, inconsolável, desolada. Fiz algo muito grave e quem me dera poder mudar tudo. Há dois dias senti ódio na sua voz. Ódio na voz da pessoa que mais amo neste mundo. Falou-me com ódio, com desprezo. Pela primeira vez na minha vida tive um ataque de pânico. Tive a sensação de que ia morrer com falta de ar. Parecia que o nó na garganta ia apertar tanto que ia acabar por me asfixiar. E o peito, senti o peito tão apertado que parecia que ia rebentar. Apeteceu-me gritar. Sem dó nem piedade. Gritar até me faltar a voz, até não poder mais. Mas na verdade, não tinha voz para gritar. 
Tinha tantas coisas para dizer. Eu também me sinto magoada. Também me sinto destruída. Também me sinto morta por dentro. O nosso espaço, onde tanto rimos, tanto choramos, tantas vezes fizemos amor... já não é nosso. E isso dói muito. Dói tanto que me falta o ar e o pânico volta de novo. Eu sei que a culpa é minha, meu Deus, se sei! Ninguém me pode culpar mais do que eu própria... Mas mesmo assim, e talvez também por isso, sinto me a morrer aos poucos. Achei que o nosso amor era para sempre. Que ia superar tudo e ia contra tudo... Senti ódio na sua voz e doeu-me tanto. Eu fiz tanto... por nós. Passei por tantas coisas... mesmo só interiormente, coisas que nunca irá perceber... Eu nunca desisti. Lutei sempre. Quando foi preciso, quando estava em pedaços fui eu que os juntei. Comigo foi feliz, foda-se, eu sei que foi! Tolerei coisas intoleráveis.. Coisas que guardei só para mim só para não magoar nem fazer sofrer. E por isso, tive de as sofrer eu sozinha. E mesmo assim, depois de tudo, e eu sei que fiz uma grande porcaria, mas mesmo assim... não mereço uma oportunidade. Sinto-me abandonada no momento em que eu mais preciso. Por muito que isto doa, é o que sinto. Abandono. Desprezo. Hoje, e há já muito tempo, sou eu que estou em pedaços. Sou eu que estou partida e que preciso de ser "colada" de novo. E, ironicamente, terei de ser eu a fazê-lo. Sozinha.
Se fosse o contrário, tenho pensado nisso, e se fosse o inverso eu acho que perdoava. Porque é insuportável viver neste sufoco de não ter o seu amor. Este aperto, esta sensação de que vou morrer a cada minuto... e às vezes, quem me dera que fosse. Todos os dias espero por uma palavra de carinho. Uma palavra que mostre que me ama... que não vai desistir de mim. Mas essa palavra nunca chega. E isso mata-me. A cada segundo que passa, morro um pouco mais. 

Sinto que já ninguém precisa de mim. E assim, qual o sentido de tudo? 

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