quinta-feira, 22 de julho de 2010

Il mio pianista...


" Succedeva sempre che a un certo punto uno alzava la testa... e la vedeva. È una cosa difficile da capire. Voglio dire... Ci stavamo in più di mile, su quella nave, tra ricconi in viaggio, e emigranti, e gente strana, e noi... Eppure c'era sempre uno, uno che per primo... la vedeva. Magari era lì che stava mangiando, o passeggiando, semplicemente, sul ponte... magari era lì che si stava aggiustando i pantaloni... alzava la testa un attimo, buttava un occhio verso il mare... e la vedeva. Allora si inchiodava, lì div'era, gli partiva il cuore a mille, e, sempre, tutte le maledette volte, giuro, sempre, si girava verso di noi, verso la nave, verso tutti, e gridava (piano e lentamente): l'America. "


----> Mi piace tanto ricordare questa storia. Sempre che leggo l'inizio non è possibile non ricordare il trombetista, nel film, dicendo queste parole... Vado da un altro mondo. Vado da un mondo strano. Quel mondo in cui io sono oggi.

sábado, 3 de julho de 2010

Arte?

"Posso não saber fingir,
Mas sei fazer de verdade."

"Posso não ser uma artista dessa ou daquela arte,
Mas sou artista da minha."

A arte não é mais que aquilo que nós de melhor fazemos. Uma habilidade. Não se aplica só àquilo que cada um de nós decide entender por arte.
Cada um de nós tem uma arte, e não tem de ser cantor, actor ou escritor. Mas esta última, é a minha preferida.

terça-feira, 22 de junho de 2010

"Sobressalto"

Tomei a liberdade de postar o microconto da aula de Práticas de Escrita. O trabalho de uma turma, depois do esforço psicológico para conseguir perceber o exercício. Mas numa coisa tenho de concordar com a professora Ângela: estamos demasiado habituados ao mesmo tipo de escrita. Talvez realizar alguns dos exercícios propostos seja um bom desafio para este blog.
Aqui fica o nosso microconto: Sobressalto




Sobressalto





“Beija-me os pés”, dizia o convite. Procurei assinatura, remetente, qualquer coisa… nada. Sem paciência para brincadeiras naquele fim de tarde de cansaços acumulados, atirei o envelope para cima do sofá vermelho enquanto o Horácio me olhava com felina indignação. Tinha direito… esquecera-me de lhe deixar comida de manhã. Precipitei-me para a despensa à procura de uma lata. Encontrei-a, mas estaquei em sobressalto. Alguém deixara um brinco indígena em cima das latas de comida para gato. Além de mim, só a D. Rosa tinha a chave da minha casa e a D. Rosa não era mulher de brincos indígenas. A Sandra fartara-se de rir do massajador cor-de-rosa choque com que ela esfregava a cabeça no dia em que lhe batemos à porta, depois de nos esquecermos da chave dentro de casa. Tinha tido de beliscar a irmã para que se controlasse. O Horácio reclamou comida e, enquanto lhe despejava a lata na tigela, a sensação de invasão aumentou desagradavelmente. Quem? Quem poderia ali ter estado em casa na sua ausência? Quando pousou o olhar sobre o convite no sofá vermelho – Beija-me os pés – a ideia de que poderia haver uma relação entre o brinco e a mensagem anónima fez-lhe disparar o coração, antes mesmo de ouvir a campainha tocar. Aproximou-se da porta com os músculos prontos para se defender. Quando a abriu, porém, a Sandra contorcia-se de riso do outro lado. Um brinco igual ao que encontrara sobre as latas baloiçava alegremente numa orelha da irmã, que lhe estendeu a mão aberta mostrando o velho cubo mágico. Pela primeira vez na vida, tinha as cores alinhadas, era um cubo resolvido. – Vá, beija-me os pés e arranja-me uma sopa – disse a Sandra, antes de entrar rindo ainda.